As origens do Município

Tudo começou com os portugueses

No início do século XVII, exatamente no dia 12 de setembro do ano de 1609, os irmãos portugueses Luís Vaz de Paiva e Manoel Nunes de Paiva se tornaram donos de uma sesmaria concedida pelo governador de Portugal, Dom Diogo de Meneses. Na área doada estavam incluídas as terras onde se formou o município de Amélia Rodrigues, que seis anos depois passaram a ser de propriedade exclusiva ele Manoel Nunes de Paiva. Pouco tempo depois, através de testamento datado de 25 de janeiro de 1622, Manoel de Paiva cedeu suas terras ao Mosteiro de São Bento da Cidade do Salvador.
Coube à instituição religiosa dar início ao povoamento do lugar, com a construção de um engenho de moer cana, uma capela e um pequeno convento, formando um núcleo posteriormente conhecido como Inhatá. Somente no ano de 1718 estas terras foram transferidas para o domínio da Freguesia de Nossa Senhora de Oliveira dos Campinhos, criada pelo Alvará Régio de 11 de abril e instalada em 1º de novembro do mesmo ano, sendo o primeiro vigário o padre Antônio Moreira Teles. Antes, porém, entre 1702 e 1703, um devoto de Nossa Senhora construiu uma casa em sua homenagem, no local conhecido como Ma¬rocá.
Não consta dos registros históricos a identidade do devoto da virgem, que passou a ser chamada de Nossa Senhora da Lapa, provavelmente - não se sabe ao certo a razão - devido à existência de uma gruta no lugar. Embora construída com recursos primários (casa de taipa), a capela foi considerada "perfeita" pelo frei Agostinho de Santa Maria, que descreveu, detalhadamente, sua localização e estrutura. Foi o mesmo religioso que registrou as características da imagem da padroeira, elaborada em escultura de madeira, "medindo três palmos e com o Menino Deus assentado sobre o braço esquerdo".
Em 1814, o Senado da Câmara da Vila de Nossa Senhora da Purificação e Santo Amaro remeteu ao Governo da Capitania da Bahia uma lista composta de três nomes para escolha do capitão da Companhia de Ordenanças do Sítio da Lapa. Foi nomeado para o cargo o capitão Manoel Araújo Bacelar e Castro, agregado da Cavalaria de Cachoeira. No ano de 1833, o Conselho do Governo da Província criou uma Junta de Paz na povoação de Inhatá, em sessão realizada a 26 de outubro. A partir de 1727, o território do atual município de Amélia Rodrigues passou a pertencer a Santo Amaro.
O arraial da Lapa se formou como entreposto comercial, parada obrigatória dos tropeiros que conduziam as boaiadas, supriam os engenhos de cereais e transportavam o açúcar para o sertão. Pela Lei estadual nº 146, de 1º de dezembro de 1936, o arraial da Lapa alcançou mais um grau na escala do desenvolvimento, sendo elevado à categoria de distrito. O Decreto estadual nº 12.978, de 12 de junho de 1944, mudou sua denominação para Traripe, numa alusão ao rio que corta as ter¬ras da antiga vila da Lapa. E numa homenagem à educadora Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues, o município foi desmembrado de Santo Amaro da Purificação (em 20 de outubro de 1961, pela Lei estadual nº 1.533) com o nome de Amélia Rodrigues.
Com a emancipação, resultado de uma incessante batalha travada por nomes ilustres, dentre os quais Gervásio de Matos Bacelar Dias (o primeiro prefeito), João Moraes, Laudelino Borges de Ramos, Flaviano Freire de Lima, Ismael Oliveira e Artur Brandão Paim, o município da¬va os primeiros passos para o desenvolvimento. Mas a luta continuou, com a participação de nomes como os de Vanderlino Wenceslau da Silva (então vereador), Hugo Amorim Cardoso, Nilton Oliveira Cardos. Lírio Ribeiro Neto e Antônio José Pinto. Nesse trabalho, os chamados "emancipacionistas" contaram com o apoio de Juracy Monteiro Magalhães (então governador) e Antônio Carlos Magalhães, na condição de deputado estadual.

A criação dos distritos
O primeiro foi São bento do Inhatá
O município de Amélia Rodrigues teve seu território dividido entre três distritos: Sede, abrangendo as localidades de Mata Velha, Itapetingui, Amparo, Ipiranga, Campos, Arcal, Monteiro, Pinguelo, Volta e Engorda; Mata da Aliança, englobando Bela Vista, Engenho Novo, São Miguel, Tebaida, Açude, Triunfo e Dendê; e Inhatá, reunindo os povoados de Bângala, Bolandeira, Miranda, Surucucu, Usina São Bento e Jambeiro. Estes distritos foram criados a partir de 1926, todos sob os domínios do município de Santo Amaro da Purificação.
O primeiro distrito criado, por força da Lei estadual nº 1.919, de 13 de agosto de 1926, foi São Bento de Inhatá, cuja denominação foi mudada para São Bento em 30 de novembro de 1938, pelo Decreto-lei estadual nº 11.089. Em 1º de junho de 1944, mais uma mudança. O distrito passou a ter a denominação de Inhatá, devido ao Decreto estadual nº 12.978, de 1º de junho de 1944. Mas a história do lugar começou bem antes. O povoado foi organizado desde 1888, pelo professor Martinho Gonçalves de Sales Brasil. Na área ela feira, foram construídas algumas barracas, substituídas por casas algum tempo depois.
Em seguida, oito anos depois, foi criado oficialmente o distrito de Aliança, com sede no povoado denominado de Mata, pelo Decreto estadual nº 8.920, de 28 de abril de 1934. O Decreto estadual nº 12.978, de 1º de junho de 1944, fixou o seu nome de Mata da Aliança. O povoado teve origem no Engenho da Mata, onde foi fundada a Usina Aliança, em 1893. O terceiro distrito criado foi o da Lapa (ex-Marucá), pela Lei estadual nº 146, de 1º de dezembro de 1936, que teve seu nome mudado para Traripe (Decreto estadual nº 12.978, de 1º de junho de 1944) e finalmente Amélia Rodrigues.
Gervásio Bacelar:
O primeiro prefeito
Vanderlino Silva:
Sucessor de gervásio.

O surgimento dos engenhos
Principal fator de progresso da região

Tendo como base econômica o cultivo e a industrialização do açúcar, o município de Amélia Rodrigues, desde os primórdios de sua história, foi sede de um extenso número de engenhos de açúcar. O Engenho São Bento do Inhatá foi apenas o primeiro de uma série, onde se destacaram o Engenho Novo, o Engenho da Mata (depois Usina Aliança), o Engenho Nossa Senhora de Brotas, que no século XVIII pertenceu a Dona Isabel Joaquina de Aragão, e posteriormente teve sua propriedade transferida para Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, depois Barão de Viçosa.
Os engenhos Bângala (de Pedro Argolo Ferrão, no século XIX), Tebaida (construído no século XIX por Domingos Borges de Barros, o Visconde de Pedra Branca, que o vendeu anos depois a José Dias Aleixo) e Triunfo (que no século XIX pertencia a João de Araújo Góes) vieram a seguir. Mas a extensa relação não termina aí. Também no século XIX surgiu o Engenho Ipiranga, de propriedade do major Alcibíades Leão Veloso. Seguindo a trilha do desenvolvimento, foram construídos os alambiques e, finalmente, as usinas, que ainda hoje se constituem o principal fator de progresso do município e da Região do Recôncavo.

Testemunha da "Sabinada"

A história do município de Amélia Rodrigues é marcada por fatos curiosos. Por ocasião do movimento conhecido por "Sabinada", por exemplo, o lugar foi testemunha do desenrolar dos acontecimentos. A revolta teve início em 1837, mas foi entre os dias 11 e 12 de março de 1838 que a tropa revolucionária, sob o comando do tenente-coronel Higino Pires Gomes, deixou o engenho "Capimirim " , seguindo em direção da Vila de Feira de Santana, registrou sua passagem pelo então arraial da Lapa, onde os rebeldes fizeram refeição e descansaram.
A tropa revolucionária era perseguida por tropas legais, comandadas pelos tenentes-coronéis José Feliciano de Morais e José Joaquim Chaves. O acesso usado para chegar ao arraial foi a ladeira de Brotas, onde se travou uma sangrenta batalha, na qual os rebeldes perderam cinco homens e os legalistas, onze. Mas os revolucionários não desistiram. Depois do descanso em Lapa, eles rumaram para a Vila de Feira de Santana, através do arraial de Humildes - hoje distrito do município de Feira de Santana.

Sabinada uma revolta popular

Liderados pelo médico Francisco Sabino Barroso, movimento eminentemente popular, os participantes da Sabinada se opuseram a questão da centralização política que se arrastava desde o início do Brasil Império. Sabino e seus agregados decretaram a criação da República Bahiense. No âmbito social, a nova república, criada em solo baiano, prometia conceder liberdade a todos os escravos que apoiassem o novo governo.
Informações básicas
Localização privilegiada do Recôncavo

O município de Amélia Rodrigues está situado na microrregião 151, ocupando uma área de 143 quilômetros quadrados. Distante da capital apenas 80 quilômetros, uma localização privilegiada - às mar¬gens da BR-324 - e um clima ameno (temperatura média anual de 24,8°C), o município limita-se com Conceição cio Jacuípe (Norte), São Sebastião do Passé (Su1), Terra Nova (Leste) e Santo Amara da Purifi¬cação (Oeste e Sul). A antiga parada de tropeiros.sua população está distribuída entre as zonas urbana e rural.
O solo e o clima são fatores determinantes para o desenvolvi¬mento de vários tipos de lavoura. Embora a cana-de-açúcar esteja em maior evidência, desde as origens do município, também se cultiva mandioca, feijão, milho, amendoim, fumo e abacaxi (culturas temporá¬rias); banana, laranja, manga, abacate e coco (culturas perma¬nentes). Por sua localização na zona fisiográfica do Recôncavo, Amélia Rodrigues é beneficiada pela Bacia Hidrográfica Recôncavo Norte, tendo como rios principais o Jacuípe e o Traripe. Argila é uma das principais ocorrências minerais do solo.
Os amelienses tem como padroeira Nossa Senhora da Conceição da Lapa e comemoram o dia 26 de maio comemora-se o ani¬versário da patrona. No dia 20 de outubro, comemora-se a emancipação política e administrativa do município.

URBANISMO
O verde em primeiro lugar

As lembranças permanecem vivas na memória dos mais velhos ha¬bitantes. Mas já não existe qualquer marca dos tropeiros que por lá passavam há muitos anos. Apesar de toda a sua história, Amélia Ro¬drigues é uma cidade jovem, de arquitetura moderna, ruas largas e pra¬ças urbanizadas. O verde é presença constante, seja na sede, seja nos distritos. Um outro imóvel lembra "os tempos da professora Marigui¬nha Azevêdo", como a casa em que funcionava sua primeira escola e que foi usada, como sede do Governo Munici¬pal.
A Igreja Matriz é emoldurada por uma grande praça, que aos sá¬bados cedo suas laterais para a realização da tradicional feira-livre, que reúne comerciantes e consumidores de toda a região do Recôncavo e até mesmo da capital. A localização da cidade facilita o acesso à feira, que se desenvolve cada vez mais nos últimos anos. Lá, o consumidor encontra de tudo um pouco. Alimentos, confecções, tecidos, sapatos, mas o forte mesmo é a produção hortifrutigranjeiros e a carne verde.

Pontos Turistico “Cachoeira da Pedra”
Complexo Cachoeira da Pedreira, localizada na Mata Atlântica

Milagre de São Roque (atrativo natural), localizado no Povoado do Ipiranga, na Usina Itapet.


Amélia Rodrigues, a mulher - Exemplo de vida

A história de Amélia Rodrigues (mulher) se confunde com a história de Amélia Rodrigues (cidade). A impressão que se tem é ele que ela sempre foi a causa e o efeito de tudo que aconteceu no lugar que hoje ostenta seu nome. Filha de Félix Rodrigues e Maria Raguelina Rodrigues, Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues nasceu na Fazenda Campos, freguesia de Oliveira dos Campinhos, a 26 de maio de 1861. Faleceu aos 65 anos de idade, no dia 22 de agosto de 1926, dei¬xando a marca de um trabalho inigualável, tanto na Educação, como na Literatura e Assistência Social.
Qualquer ameliense, por mais jovem que seja, deveria conhecer a história de Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues, desde os primeiros passos para sua formação, com o Cônego Alexandrino do Prado. Posteriormente, se tomou aluna exemplar dos professores Antônio de Araújo Gomes de Sá e Manuel Rodrigues Martins de Almeida. Seu sonho em o Magistério. Para realizá-lo, cursou o Colégio mantido pela professora Cândida Álvares dos Santos, onde obteve ensinamentos suficientes para conquistar a nomeação para lecionar no arraial da Lapa.
Os desafios não pararam aí. Alguns anos depois, a jovem professora enfrentava novo concurso, desta feita disputando uma cadeira na cidade de Santo Amara da Purificação, permanecendo no cargo por oito anos. Em 1891, mais uma conquista para Amélia Rodrigues: pelo seu desempenho na cidade de Santo Amara, ela foi transferida para Salvador, passando a atuar na escola do bairro Santo Antônio. Autoridades do setor educacional não pouparam elogios à mestra, que reque¬reu sua aposentadoria anos mais tarde, quando já sentia necessidade de repousar.
Mas era difícil permanecer em repouso, quando o ideal de ensinar continuava vivo. Recuperadas as energias, Amélia Rodrigues retoma ao Magistério, desta vez de forma ainda mais marcante: a fundação do Instituto Maternal Maria Auxiliadora, que se constituiu numa das mais destacadas casas de educação e instrução da capital, sendo mais tarde transformada no "Asilo dos Expostos". Uma coisa é certa. Merecedora de respeito e carinho, Amélia Rodrigues sempre contou com o apoio dos conterrâneos para seus empreendimentos, o que os tornavam ainda mais significativos.
Não foi surpresa para ninguém quando a jovem mestra começou a se dedicar também à literatura e ao jornalismo. Incentivada por pessoas de renome, a exemplo do Barão de Vila Viçosa, Antônio Joaquim de Passos, Filinto Bastos e Cônego Emílio Lobo, dentre outras, Amélia Augusta cresceu nestes dois setores vertiginosamente, inicialmente como colaboradora das publicações religiosas "Cidade do Salvador", "Estandarte Católico" e "Mensageiro da Fé". Nesta última, a professo¬ra usava o pseudônimo de Juca Fidelis.
Sua participação na imprensa baiana foi mais adiante, quando fundou, em 1910, juntamente com as intelectuais Maria Luíza de Souza e Maria Elisa Valente Moniz de Aragão, a revista "A Paladina", pri¬meiro órgão do Movimento Feminista na Bahia. Três anos antes, já impulsionada pela necessidade de defesa da mulher, Amélia criara a Associação das Damas de Maria Auxiliadora, que serviu de base para a fundação da Liga Católica das Senhoras Baianas, entidade presidida por ela. A revista "A Paladina" foi deixada de lado em 1912, quando se fez necessário o surgimento de um órgão oficial para divulgar as ati¬vidades da Liga, a revista "A Voz".
Várias publicações - já extintas - tiveram Amélia Rodrigues como colaboradora, como as revistas "Pantheon", "O Álbum", "A Renascença" e "O Livro". E todas estas atividades a fizeram uma grande conferencista, requisitada por todos os segmentos da sociedade baiana, principalmente para falar sobre mulheres. Uma das conferências de maior destaque foi sobre a "Obra Social Feminina no Mundo Civilizado", que contou com uma platéia da maior relevância, inclusive 14 bispos que se encontravam na capital do Estado. Nesta época, suas poesias também já começavam a ganhar espaço nos jornais baianos.
As portas do teatro também se abriram para a escritora, poetisa, professora e jornalista. Dentre seus trabalhos teatrais, são citados como os melhores "Fausta", representado no Teatro de Santo Amaro, "A Força", que foi levado a outros estados brasileiros e "A Natividade", drama sacro, representado em 23 de dezembro de 1889, no Politeama, em Salvador. Dentre as poesias, merecem destaque “O Leproso”, (Vida da Madre Vitória da Encarnação”, “Religiosa Clarissa” (trabalho publicado em 1916, na revista da Liga das Senhoras Católicas), "Cartas a uma Amiga".(com o pseudônimo Dinorah) e "Bem-me-queres".
Amélia Rodrigues se dedicou, durante muito tempo, à literatura infantil (dramas, comédias e poesias, a maioria ainda desconhecida) e às obras didáticas. "Flores da Bíblia" (versos para escola), "Rosas do Lar" (livro de leitura) e "Mãe e Mestra" são alguns exemplos. Publicado em 1898, o livro "Mãe e Mestra", seu primeiro trabalho nesta área, apresenta noções de Moral e Civismo, merecedoras de elogios do poeta Múcio Teixeira e do intelectual Rui Barbosa e de grande aceitação nos estabelecimentos de ensino baianos.
No gênero do romance – como em tudo que se propôs a fazer - Amélia Rodrigues logrou êxito. Depois de "Um casamento segundo os novos moldes", veio "A Promessa", vertido para o alemão. Suas poesias e outros trabalhos são transcritos ainda hoje. Seu intento era ser professora, sua vocação para as letras a fez escritora, seu destino a fez mestra e mãe de uma geração. Nunca serão esquecidos seus questionamentos espirituais e sua grandiosa luta por um ensino mais amplo, que atingisse o aspecto humanitário de cada um de seus discípulos.

Quando entre as mãos da criança,
um livro aberto se vê,
e a voz da mestra se escuta,
que diz à criança - lê!
- parece que Deus, sorrindo,
por sobre este grupo lindo,
mais uma vez reproduz,
no caos de um outro infinito,
aquele fecundo grito
de outrora - Faça-se a luz.

Amélia Rodrigues

Dorme em paz, coração, não tenhas medo
Da tempestade que lá fora explode
Ela quebrar-te em seu furor não pode,
Porque tu és forte, assim como um rochedo.

Tu tens em Deus o mágico segredo
De expulsar tudo quanto te incomoda
Ao seu oceano a calma fresta acode
E o sol para iluminar-te sai mais cedo.

Deus vela enquanto dormes, Deus escuta
A voz de tua prece, vê teu pranto
E dá-te forças na contínua luta.

Seu olhar é uma túnica de amianto
Que te envolve - claríssima, impoluta
Dorme em paz, coração, não temas tanto!

Amélia Rodrigues

Faz anos a filha do Senhor,
Tudo é prazer nos solos do sobrado.
Das janelas, através do cortinado
Sai em jarros a luz, passa o calor.

Rescende fora do banquete o odor
Soa em tubos o piano bem tocado.
E os gorjeios de um canto apaixonado
De rouxinol, nos lábios de uma, flor.

Mas enquanto lá dentro a festa
A dança, brindes, risos, intemperança,
Misturam-se aos fogos de vivas e bravos,
Do engenho em negro c imundo calabouço
Presos num tronco vil, pelo pescoço
Gemem, tintos de sangue, alguns escravos.

Amélia Rodrigues: Vida de luta e de glórias.

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