O Jornal A TARDE, em reportagem assinada pelo jornalista Yuri Abreu e publicada na última quarta-feira, 29 de julho de 2026, informou que os contratos firmados pela Prefeitura de Conceição do Jacuípe para o São João 2026 estão sendo investigados pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), após denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Segundo a reportagem, a gestão da prefeita Tânia Yoshida (PSD) realizou 15 contratações por inexigibilidade de licitação para apresentações artísticas, totalizando R$ 5.965.000,00 em cachês.
Entre os maiores valores pagos estão os shows de Zé Neto e Cristiano (R$ 905 mil), Maiara e Maraisa (R$ 784 mil), Calcinha Preta (R$ 646 mil), Rey Vaqueiro (R$ 500 mil) e Saia Rodada (R$ 465 mil).
De acordo com a publicação, o MP-BA apontou que alguns cachês ultrapassaram os parâmetros de razoabilidade definidos em notas técnicas elaboradas antes dos festejos juninos em conjunto com a União dos Municípios da Bahia (UPB). Os valores pagos às duplas Zé Neto e Cristiano e Maiara e Maraisa superaram o patamar de R$ 700 mil, considerado de alta materialidade, exigindo justificativas mais consistentes sobre a compatibilidade com os preços praticados no mercado.
A reportagem também destaca que artistas como Rey Vaqueiro, Michele Andrade e Mikael Santos receberam valores superiores aos parâmetros utilizados pelo Ministério Público, sendo que o cachê de Rey Vaqueiro ficou 71,06% acima do teto considerado como referência.
Na denúncia, o MP-BA sustenta que os gastos com eventos públicos devem ser compatíveis com a realidade financeira do município e não podem comprometer recursos destinados a áreas essenciais, como saúde, educação e obrigações previdenciárias.
Em sua defesa, a prefeita Tânia Yoshida argumentou que o município possui situação fiscal equilibrada, com dívida correspondente a 16,73% da Receita Corrente Líquida (RCL), e afirmou que os festejos juninos têm importância cultural e econômica, além de estarem previstos no orçamento municipal.
Ainda conforme o Jornal A TARDE, o pedido do Ministério Público para suspender os pagamentos aos artistas foi negado pela relatora do processo no TCM-BA, conselheira Aline Peixoto, por entender que os shows já haviam sido realizados. A decisão, no entanto, não representa aprovação das contas.
O Tribunal determinou a notificação da prefeita e das empresas contratadas para que apresentem esclarecimentos no prazo de 20 dias. O processo segue em tramitação para apuração dos indícios de eventual dano ao erário e da regularidade das contratações.
Fonte: Reportagem de Yuri Abreu, publicada no Jornal A TARDE, em 29 de julho de 2026.