Eram
índios Abatirás - que supunha constituírem ramo
dos Aimorés - os primitivos habitantes do território correspondente
ao atual Município de Santo Amaro. Localizados ao longo da costa,
e nas margens dos principais rios, os indígenas ocupavam, preferentemente,
a Patatiba. área de cerca de dez léguas quadradas onde
se encontram ótimos solos de massapê, com aguadas e pastagens
magníficas.
É tradição corrente terem os Abatirás vivido
em contínuas lutas com os Tupinambás da barra do Paraguaçu,
que incursionavam em busca de pescados e mariscos.
Os primeiros civilizados que penetraram a região, por volta de
1557, travaram renhidas lutas com os selvagens, estabelecendo-se, de
início, na margem direita do Traripe, no local denominado Pilar
e nas proximidades do mar, de onde retiravam meios de subsistência.
Entre os aquinhoados, com doações de sesmarias, figuram
o Major João Ferreira de Araújo e membros da família
Dias Adorno, incluindo-se no seu domínio as terras em que mais
tarde veio a localizar-se a Cidade de Santo Amaro.
Admite-se como provável, que antes desse estabelecimento já
se tivesse iniciado a catequese pelos jesuítas do Colégio
de Santo Antão de Lisboa, fixados na margem do mesmo Traripe,
um pouco abaixo das terras dos Adornos. Ali fundaram uma capela, sob
a invocação de Nossa Senhora do Rosário. Em redor
do modesto templo, morro abaixo, alastrou-se o casario. Todavia, por
dissenções
peculiares àquela época, foi um jesuíta assassinado
na capela quando celebrava missa. Em conseqüência, o templo
foi interditado, verificando-se o deslocamento dos colonos para outro
local, na confluência dos rios Serjimirim e Subaé, em terras
do Conde de Linhares, onde se construiu nova capela.
Como o referido sítio não fosse conveniente fundou-se,
meia légua acima, uma igreja no lugar denominado Santo Amaro,
por existir nele uma capela consagrada ao Santo desse nome, além
de pequeno núcleo de colonos vizinhos, origem da atual Cidade.
Com a posterior criação da freguesia, passou a localidade
a denominar-se, não oficialmente, Santo Amaro da Purificação.
No século XVII, intensificou-se a colonização,
mediante a concessão de numerosas sesmarias.
Mais tarde, divididas as terras para o desenvolvimento da colonização,
tornou-se proprietário de parte delas o citado Major João
Ferreira de Araújo, bisavô do eminente estadista e administrador
da Bahia e Sergipe, João Ferreira de Araújo Pinho. Essas
terras, como já se viu, constituíam parte daquelas em
que atualmente está edificada a Cidade, sendo a residência
do seu antigo proprietário
considerada, em 1927, monumento nacional.
Em princípio do século XVIII, observe um de seus historiadores,
Santo Amaro já se tinha desenvolvido tanto que o Marquês
de Angeja, em visita ao Recôncavo, em 1715 intentou fundar ali
uma vila, o que só se verificou, no entanto, em 1727, efetuando-se
a sua instalação em 5 de janeiro desse ano, com a denominação
de Nossa Senhora da Purificação e Santo Amaro.
Em 1774, conforme exposição do Governador da Capitania
ao Ministro Martinho de Melo, a vila contava, nas quatro freguesias
de que então se compunha, com 14.300 almas.
Santo Amaro desempenhou papel relevante nas lutas da Independência,
contribuindo com alguns batalhões e até mesmo com um esquadrão
de cavalaria fardado, equipado e mantido à custa de seu comandante,
Antônio Joaquim de Oliveira e Almeida, para a consolidação
do movimento patriótico que teve o seu feliz desfecho em 2 de
julho de 1823.
Formação
Administrativa
O DISTRITO foi criado em data anterior a 1608 e o Município,
a 5 de janeiro de 1727, com a denominação de Nossa Senhora
da Purificação e Santo Amaro. A sede Municipal recebeu
foros de Cidade em virtude da Lei Provincial n.° 43, de 13 de março
de 1837.
O Município sofreu várias alterações territoriais
e administrativas. A jurisdição administrativa do antigo
Município abrange atualmente os distritos de Santo Amaro (Sede),
Acupe, Campinhos e Saubara.
A COMARCA. foi criada pela Resolução do Conselho do Governo,
em 9 de maio de 1833.